Na manhã deste sábado os rumores foram comprovados:
Após 15 anos, o concurso de Miss Brasil contará com a presença de uma mulher
nascida fêmea, heterossexual e com identidade de gênero feminina. Para evitar
perseguição e uma possível discriminação, a identidade da concorrente será
mantida em sigilo até o dia do concurso.
Nosso jornal procurou alguns organizadores do evento
para falarem sobre o assunto, porém, nenhum deles se pronunciou sobre o caso.
Contudo, publicaram a seguinte nota no facebook:
“Este ano o concurso de Miss Brasil, para surpresa de
todos, contará com a presença de uma mulher nascida fêmea, heterossexual e com
identidade de gênero feminina. Ficamos felizes pela coragem desta mulher,
porém, esperamos que tal atitude não gere, mais uma vez, a supremacia
heterossexual das mulheres no concurso, abrindo espaço para o preconceito
contra a mulher que nasceu homem, foi gay, identificou seu gênero como feminino
e, finalmente, submeteu-se à cirurgia para adequação sexual, mas que sempre foi
mulher.”
A atual Miss Brasil, outrora denominada Moacir, disse
olhar essa participação com desconfiança, mas que não vê ameaça a seu título.
Moacir, digo, Bianca, afirmou que a participação pode ser algum plano da
Internacional Conservadora – organização ilegal e imoral – para abalar a ordem
instaurada. Porém, a participação da mulher nascida mulher não apresenta risco
ao título, afirmou Bianca, afinal, “com todas as nossas cirurgias plásticas ela
não têm nem chance” encerrou.
Setores mais arcaicos da sociedade comemoram o anuncio.
Segundo os Neandertais, o concurso de Miss Brasil jamais poderia ter aberto
precedente para a participação de transexuais, preservando a participação
apenas de mulheres, definidas pelos próprios Neandertais, que são mulheres de
berço, em seu gene. Um grupo de Australophitecus foi entrevistado e um de seus
membros afirmou: – Sinto saudade de sentar no bar com alguns amigos para tomar
cerveja e conversar sobre futebol e mulher, mas mulher de verdade (sic), não
sobre um homem que decidiu extirpar seus órgãos sexuais e construir um novo.
Porém, na última vez que fizemos isso fomos vaiados e quase nos agrediram. As pessoas
gritavam: “Machistas! Atrasados! Câncer da sociedade!”, então achamos melhor
nos reunirmos apenas em nossas casas.
O desfile será transmitido nas escolas para os alunos
de até 13 anos.
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